Um Escravo - Primeira Parte II
Desde os primeiros tempos do Império, a mulher romana havia-se entregado à dissipação e ao luxo excessivo, em detrimento das obrigações santificadoras do lar e da família. A facilidade na aquisição de escravos empregados nos serviços mais grosseiros, como nos mais elevados misteres de ordem doméstica, inclusive os da própria educação e instrução, havia determinado grande queda moral no equilíbrio das famílias patrícias, porquanto a disseminação dos artigos de luxo, vindos do Oriente, aliada à ociosidade, amolecera as fibras de energia e de trabalho das matronas romanas, encaminhando-as para as frivolidades da indumenta, para as intrigas amorosas, a preludiar a mais completa desorganização da família, no esquecimento de suas tradições mais apreciáveis. Contudo, algumas casas haviam resistido heroicamente a essa invasão de forças perversoras e criminosas. Mulheres havia, ao tempo, que se orgulhavam do padrão das antigas virtudes familiares, de quantas as tinham antecedido...