domingo, 20 de maio de 2018

Ama Sempre


... O julgamento é dos homens, mas a Justiça é de Deus...

Encontrarás talvez, junto de tí, os que te pareçam errados.

Esse cometeu falta determinada, aquele se acomodou numa situação considerada infeliz.

Respeita o tribunal que lhes indicou tratamento, sem recusar-lhes auxílio.
Quem conhecerá todas as circunstâncias para sentenciar, em definitivo, quanto às atitudes de alguém, analisando efeitos sem penetrar as causas profundas?

Deliciava-se certa jovem com o perfume das rosas que lhe vinham desabrochar na janela. Orgulhosa das ramas que escalavam paredes, de modo a ofertar-lhe as flores, quis corrigir o jardim, no pedaço de chão em que a planta se levantava. 

Pequeno monte de terra adubada, a destacar-se de nível, foi violentamente arrancado, mas justamente aí palpitava o coração da roseira.

Decepada a raiz, morreram a flores.

Quantas criaturas estarão resignadas à moradia em situações categorizadas por lodo, para que as rosas da alegria e da segurança possam brilhar na janelas de nossa vida?

Aceita os outros tais quais são.

Espera e serve.

Abençoa e ama sempre.

O errado hoje, em muitos casos, será o certo amanhã.

O julgamento é dos homens, mas a justiça é de Deus.

Do Livro Amizade 
Ditado pelo Espírito de Meimei
Psicografia Francisco Cândido Xavier

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

1 - Cinquenta Anos Depois - Uma Familia Romana

Cinquenta Anos Depois

Pelo Espírito Emmanuel.
Psicografia: Francisco Cândido Xavier


1ª Parte

Uma Família Romana



Varando a multidão que estacionava na grande praça de Esmirna, em clara manhã do ano 131 da nossa era, marchava um troço de escravos jovens e atléticos, conduzindo uma liteira ricamente ataviada ao gosto da época. 
De espaço a espaço, ouviam­-se as vozes dos carregadores, exclamando: – Deixai passar o nobre tribuno Caio Fabrícius! Lugar para o nobre representante de Augusto. Lugar!... Lugar!... 
Desfaziam-­se os pequenos grupos de populares, formados à pressa em torno do mercado de peixes e legumes, situado no grande logradouro, enquanto o rosto de um patrício romano surdia entre as cortinas da liteira, com ares de enfado, a observar a turba rumorosa. 
Seguindo a liteira, caminhava um homem dos seus quarenta e cinco anos presumíveis, deixando ver nas linhas fisionômicas o perfil israelita, tipicamente características, e um orgulho silencioso e inconformado.
A atitude humilde, todavia, evidenciava condição inferior e, conquanto não participasse do esforço dos carregadores, adivinhava-­se-­lhe no semblante contrafeito a situação dolorosa de escravo. 
Respirava-­se, à margem do golfo esplêndido, o ar embalsamado que os ventos do Egeu traziam do grande Arquipélago. O movimento da cidade crescera de muito naqueles dias inolvidáveis, sequentes à última guerra civil que devastara a Judeia para sempre. 
Milhares de peregrinos invadiam­-na por todos os flancos, fugindo aos quadros terrificantes da Palestina, assolada pelos flagelos da última revolução aniquiladora dos derradeiros laços de coesão das tribos laboriosas de Israel, desterrando-­as da pátria.
Remanescentes de antigas autoridades e de numerosos plutocratas de Jerusalém, de Cesareia, de Betel e de Tiberíades, ali se acotovelam famélicos, por subtraírem-­se aos tormentos do cativeiro, após as vitórias de Júlio Sexto Severo sobre os fanáticos partidários do famoso Bar-­Coziba.
Vencendo os movimentos instintivos da turba, a liteira do tribuno parou à frente de soberbo edifício, no qual os estilos grego e romano se casavam harmoniosamente. 
Ali estacionando, foi logo anunciado no interior, onde um patrício relativamente jovem, aparentando mais ou menos quarenta anos, o esperava com evidente interesse.

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Cinquenta Anos Depois - Carta ao Leitor

Cinquenta Anos Depois

Francisco Cândido Xavier

EPISÓDIOS DA HISTÓRIA DO CRISTIANISMO NO SÉCULO I

Romance ditado pelo Espírito
EMMANUEL






Meu amigo, Deus te conceda paz.

Se lestes as páginas singelas do “Há Dois Mil Anos…”, é possível que procures aqui a continuação das lutas intensas, vividas pelas suas personagens reais, na arena de lutas redentoras da Terra. É por esse motivo que me sinto obrigado a explicar-te alguma coisa, com respeito ao desdobramento desta nova história.

Cinquenta anos depois das ruínas fumegantes de Pompeia, nas quais o impiedoso senador Públio Lentulus se desprendia novamente do mundo, para aferir o valor de suas dolorosas experiências terrestres, vamos encontrá-lo, nestas páginas, sob a veste humilde dos escravos, que o seu orgulhoso coração havia espezinhado outrora. A misericórdia do Senhor permitia-lhe reparar, na personalidade de Nestório, os desmandos e arbitrariedades cometidos no pretérito, quando, como homem público, supunha guardar nas mãos vaidosas, por injustificável direito divino, todos os poderes. Observando um homem cativo, reconhecerás, em cada traço de seus sofrimentos, o venturoso resgate de um passado de faltas clamorosas.

Todavia, sinto-me no dever de esclarecer-te a curiosidade, com referência aos seus companheiros mais diretos, na nova romagem terrena, de que este livro é um testemunho real.

Não obstante estarem na Terra, pela mesma época, os membros da família Severus, Flávia e Marcus Lentulus, Saul e André de Gioras, Aurélia, Sulpício, Flávia e demais comparsas do mesmo drama, devo esclarecer-te que todos esses companheiros de luta mourejavam, na ocasião, em outros setores de sofrimentos abençoados, não comparecendo aqui, onde o senador Públio Lentulus aparece, aos teus olhos, na indumenta de escravo, já na idade madura, como elemento integrante de um quadro novo.

De todas as personagens do “Há Dois Mil Anos…’’, um contudo aqui se encontra, junto de outras figuras do mesmo tempo, como Policarpo, embora não relacionado nominalmente no livro anterior, companheiro esse que, pelos laços afetivos, se lhe tornara um irmão devotado e carinhoso, pelas mesmas lutas políticas e sociais na Roma de Nero e de Vespasiano. Quero referir-me a Pompílio Crasso, aquele mesmo irmão de destino na destruição de Jerusalém, cujo coração palpitante lhe fora retirado do peito por Nicandro, às ordens severas de um chefe cruel e vingativo.


Postagem em destaque

Paciência e Nós

Quando as dificuldades atingem o apogeu, induzindo os companheiros mais valorosos a desertarem da luta pelo estabelecimento das b...

Postagens mais visitadas